Segurança de insumos na nutrição animal: por que a fonte mineral merece a mesma atenção que o grão

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Segurança de insumos na nutrição animal: por que a fonte mineral merece a mesma atenção que o grão

A segurança dos insumos usados em nutrição animal determina a saúde do rebanho e a inocuidade do alimento que chega à mesa do consumidor. A afirmação abre a entrevista concedida por Bruno Caputi, coordenador de Assuntos Regulatórios do Sindirações, à revista feed&food, e sustenta um ponto que a indústria brasileira conhece bem: o controle começa na matéria-prima, não na formulação.

Equipe Sul Óxidos··5 min de leitura

A segurança dos insumos usados em nutrição animal determina a saúde do rebanho e a inocuidade do alimento que chega à mesa do consumidor. A afirmação abre a entrevista concedida por Bruno Caputi, coordenador de Assuntos Regulatórios do Sindirações, à revista feed&food, e sustenta um ponto que a indústria brasileira conhece bem: o controle começa na matéria-prima, não na formulação.

Há, porém, um recorte dessa discussão que costuma ficar de fora. O debate sobre contaminantes em alimentação animal se organiza quase inteiramente em torno dos ingredientes de origem vegetal, porque é de lá que vêm as micotoxinas. A fonte mineral entra na formulação em proporção muito menor e, talvez por isso, recebe menos escrutínio. É exatamente onde o risco se comporta de forma diferente.

Onde o debate está concentrado hoje

O Sindirações aponta que a legislação brasileira de alimentação animal vem sendo modernizada, mas ainda não avançou de maneira significativa em três frentes de risco: micotoxinas, resíduos químicos e agentes microbiológicos. A entidade registra que o Ministério da Agricultura e Pecuária estuda o tema e busca alinhamento com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal e do Codex Alimentarius, e que a fiscalização já incorpora análises exploratórias de contaminantes por meio de programas internos de monitoramento.

Das três frentes, duas se manifestam principalmente nos ingredientes de origem vegetal. Micotoxina é produto de fungo que se desenvolve no campo e na armazenagem do grão. Agente microbiológico encontra no material orgânico o substrato de que precisa. A terceira frente, resíduos químicos, é a que menos depende da origem vegetal, e é a que mais se aproxima do que acontece com as fontes minerais.

O que entra pela porta mineral

Fontes minerais de zinco, cobre, manganês e ferro são adicionadas em quantidade pequena, mas não são neutras. Metais pesados como chumbo e cádmio acompanham naturalmente os minérios e as correntes industriais das quais esses elementos são recuperados, e a quantidade que chega ao produto final depende da matéria-prima e da rota de fabricação empregadas, não do cuidado tomado na mistura.

Isso cria uma assimetria que vale nomear. Uma micotoxina pode ser detectada por análise de rotina no recebimento do grão e tem variabilidade de safra, o que mantém a atenção da indústria permanentemente ligada. Um teor elevado de chumbo em uma fonte mineral não altera aparência, cor, odor nem comportamento do produto na mistura. Ele não se anuncia. Só aparece em análise laboratorial de quem decidiu procurar.

E aqui a lacuna regulatória apontada pelo Sindirações deixa de ser uma discussão abstrata sobre normas futuras e passa a ser um problema prático do comprador de hoje. Enquanto a regulamentação de resíduos químicos não avança, o que separa um insumo controlado de um insumo desconhecido não é a fiscalização. É a qualificação que o próprio fabricante de ração faz do seu fornecedor.

Rastreabilidade só existe se o insumo tiver lote

O Sindirações destaca a rastreabilidade como ferramenta que permite identificar a origem dos insumos e agir com rapidez diante de um problema. Vale observar o que essa afirmação exige na prática, porque ela costuma ser tratada como atributo do fabricante de ração quando, na verdade, depende da cadeia inteira.

Rastreabilidade é uma corrente. Se o fabricante de ração identifica cada lote de produto acabado, mas recebe a fonte mineral em embalagem sem identificação de lote, sem data de fabricação e sem laudo de análise correspondente, a corrente se rompe no primeiro elo. Diante de uma ocorrência, a investigação chega até o fornecedor e para ali, sem conseguir responder qual lote entrou, quando foi fabricado e com qual resultado analítico. O tempo que se perde nessa parede é exatamente o tempo que a rastreabilidade deveria economizar.

Seis perguntas para fazer ao fornecedor de fonte mineral

A lista abaixo reúne o que um programa de qualificação de fornecedores deveria exigir de quem fornece fonte mineral para nutrição animal. Nenhum dos itens é oneroso para um fabricante que já opera com controle, e cada um deles é verificável em documento.

•  O produto tem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária. Registro da empresa e registro do produto são coisas distintas, e é o segundo que habilita aquele material específico ao uso em alimentação animal.

•  Cada lote é acompanhado de laudo de análise, com o teor do elemento de interesse e a identificação do lote a que se refere.

•  A embalagem traz identificação de lote, data de fabricação e prazo de validade, de forma que o recebimento consiga vincular o material físico ao documento.

•  O fornecedor informa o perfil de contaminantes do produto, seja como limite máximo garantido, seja como valor efetivo no laudo de cada lote.

•  A origem da matéria-prima e a rota de fabricação são conhecidas e declaradas, porque é a rota que determina quais elementos acompanham o produto.

•  O fornecedor aceita auditoria ou visita técnica à planta, o que permite verificar as boas práticas de fabricação e armazenagem que a legislação exige.

Chama atenção que a quarta pergunta seja a que mais encontra resistência no mercado. Informar o perfil de contaminantes obriga o fornecedor a medir o que talvez não estivesse medindo, e a sustentar o número em todos os lotes seguintes. É justamente por isso que ela separa fornecedor de revendedor.

O papel de quem fabrica o insumo

A Sul Óxidos produz óxido de zinco e sulfato de zinco monohidratado em Forquilhinha, Santa Catarina, desde 2000, e fornece esses produtos para a indústria de nutrição animal e de fertilizantes. Os produtos destinados a esse uso são registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária, e cada lote expedido é acompanhado de laudo emitido pelo laboratório da própria fábrica, com identificação de lote e data de fabricação.

O laboratório opera dentro da planta onde o produto é fabricado, com espectrometria de emissão óptica com plasma indutivamente acoplado, espectrometria de fluorescência de raios X e espectrometria de emissão óptica. A estrutura permite analisar cada lote antes da expedição, sem depender de fila em laboratório terceirizado, e é o que torna possível responder a uma pergunta técnica de cliente sobre um lote específico no mesmo dia.

A conclusão do Sindirações se aplica inteira aqui. Enquanto a regulamentação de resíduos químicos não alcança o detalhe que o setor precisa, o rigor possível é o que cada elo da cadeia escolhe praticar e documentar. Para quem compra fonte mineral, esse rigor tem forma concreta e barata de verificar: pedir o laudo, conferir o lote e perguntar o que não está escrito.

Perguntas frequentes, ao final do artigo

Fontes minerais precisam de registro no MAPA para uso em nutrição animal?

Sim. Produtos destinados à alimentação animal exigem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária, e o registro do produto é distinto do registro da empresa. O comprador deve verificar se o material específico que está adquirindo, e não apenas o fabricante, consta como registrado para essa finalidade.

Como verificar o teor de contaminantes de uma fonte mineral?

Pelo laudo de análise do lote. O comprador deve solicitar ao fornecedor o laudo correspondente ao lote recebido, verificar se ele informa o perfil de contaminantes além do teor do elemento principal, e confirmar se o número do lote no documento corresponde ao da embalagem entregue. Quando o fornecedor declara limite máximo garantido, esse limite vale para todos os lotes e pode ser cobrado.

Por que a rota de fabricação de uma fonte mineral importa?

Porque a rota determina quais elementos acompanham o produto final. No caso do óxido de zinco, o processo indireto parte de zinco metálico e resulta em material de maior pureza, enquanto o processo direto parte de materiais que contêm zinco em outras formas e carrega os demais elementos presentes na carga. Nenhuma das duas rotas é inadequada para nutrição animal, mas o perfil analítico é diferente, e conhecer a rota ajuda o comprador a saber o que esperar do laudo.

Fontes

CAPUTI, Bruno. Segurança dos insumos é pilar essencial na nutrição animal. Entrevista concedida à revista feed&food, edição 218. Publicado por Sindirações em 10 de junho de 2025. Disponível em sindiracoes.org.br

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